sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Eny Cezarino, uma figura importante na história de Bauru


Na entrada de Bauru, uma estrada de terra, com a placa Eny's Bar, viu circular todo o tipo de gente. Alguns passavam por curiosidade, como o dramaturgo Mauro Rasi. Outros iam pedir votos, como o presidente Jânio Quadros. Mas a maioria ia em busca de um desejo íntimo: o sexo pago.

Ao final da estrada, a Casa de Eny, com um vasto quintal e uma piscina no formato de violão, costumava ser sobrevoada por helicópteros com curiosos.

Eny Cezarino comandou até o ano de 1982 a invejável estrutura: 40 quartos, saunas, restaurante, bares e salões de festas, tudo ciceroneado por mulheres de vida nada fácil.

Foram dez anos de pesquisa (em "Eny e o Último Grande Bordel Brasileiro" - autor: Lucius de Mello) sobre o submundo da prostituição e a saga da família italiana Cezarino, cujo patriarca desembarcou no Brasil num navio infestado pela cólera, surpreendeu-se com leilões de escravos na Estação da Luz e por aqui ficou.

Sua descendente, Eny Cezarino, uma garota criada para se casar, seguiu um rumo inesperado. Fugiu de casa, trabalhou como prostituta em São Paulo, frequentou baladas do Cassino da Urca, prostituiu-se em bordéis de Porto Alegre e Paranaguá, até ser convidada para montar seu próprio negócio na promissora Bauru.

Elegante e educada, Eny aprendeu os macetes do negócio, como tratar bem os clientes e as sementes de sua horta, transformando-se numa figura pública envolvente. Seu maior prazer era ir ao correio todos os meses, para enviar dinheiro à família.

"As histórias sobre ela e suas meninas corriam de boca em boca como lenda. Ouvi até dizer que, pelo envolvimento político que teve, ela foi uma espécie de embaixatriz da cidade. Entrevistei quase 50 pessoas, entre familiares, prostitutas, ex-prostitutas, ex-funcionários, delegados, empresários, políticos, artistas e moradores da cidade."

Como uma audaciosa mulher de negócios, Eny Cezarino conseguiu construir um império de 26 imóveis, mas morreu pobre, em 24 de agosto de 1987, aos 69 anos, numa cama de hospital.

Texto de Marcelo Rubens Paiva 
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u26993.shtml

Video: Daniel Dante, Fabíola Camilo e Larissa Sarkis.
continuação em: http://www.youtube.com/user/docmemorias 

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